A vida de muitos imigrantes hispanos que procuram melhores salários no Brasil traça uma realidade caótica de sobrevivência. Como define a boliviana Patrícia Vargas, 31 anos, muitos vivem na linha da miséria, sem documentação legal, dependendo da solidariedade da comunidade.

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“Essa gente trabalha muito e ganha pouco. Muitos em situação de trabalho escravo, não tem condições de pagar consultas médicas. Outros sem documentação, não querem ir a hospitais, postos de saúde ou dentistas, porque vão pedir o documento”, conta a profissional.

Patrícia faz parte do grupo de profissionais voluntários que atende essa classe de imigrantes carentes da Zona Leste da Grande São Paulo. Dentista graduada há 10 anos, mora no Brasil desde 2010, é voluntária da Ação Solidária Adventista (ASA) e faz parte do projeto Meu Talento Meu Ministério. “Para ajudar esse povo, atendemos no domingo. Para muitos não cobramos, ou cobramos só o valor do material, porque eles não podem pagar”, explica.

Antes de passar para o consultório, local que realiza a maior parte do trabalho missionário. Ela afirma que o trabalho começa nas Feiras de Saúde. “Lá nós analisamos a boca dos pacientes e indicamos o tratamento necessário”, lembra.

O consultório é localizado no Tatuapé, mas ela afirma que vários imigrantes vem de outros bairros do município. O atendimento é realizado uma vez por semana. “Enquanto eles estão sendo atendidos, eu vou falando de Jesus na clínica”, comenta.

Segundo a dentista, nos 10 anos de ministério 40 pessoas foram batizadas por meio do contato feito nos atendimentos ortodônticos. Os pacientes comentam das consultas para os que não conhecem, e assim, mais pessoas tem aderido aos benefícios da ação voluntária.

Consultório na igreja
Patrícia faz parte de uma equipe de dentistas voluntários que desejam transformar uma sala da Igreja Central Hispana, no Brás, em clínica de atendimento odontológico.

De acordo com a organizadora, no segundo semestre deste ano, os profissionais tem como objetivo atender a comunidade uma vez por semana na igreja.

Entretanto, de acordo com a voluntária, o projeto tem sido adiado pela falta de recursos para montar o consultório e os equipamentos tem sido comprados por meio de campanhas e doações da comunidade local. No total, três profissionais fazem parte do projeto. “Éramos em cinco, mas dois voltaram para seu país”, fala.

Congresso da ASA

No sábado 27 e 28 de fevereiro aconteceu o Congresso da ASA, intitulado “Compassion” (Compaixão), no Colégio Adventista da Vila Matilde. Com um público maior de 600 pessoas, o evento foi transmitido ao vivo e trouxe visitantes de todo o Brasil.

O objetivo foi instruir os líderes locais da ASA em como potencializar seus talentos em prol de serviços voluntários para a comunidade. No sábado, palestrantes realizaram plenárias e workshops voltados ao ensinamento de atividades evangelísticas.

Baseadas na compaixão de Cristo, o projeto meu Talento Meu Ministério foi apresentado pelo organizador do Compassion e idealizador do projeto no Estado de São Paulo, pastor Jair Miranda. Profissionais de diversas áreas subiram ao palco para contar sobre seu trabalho pela sociedade.

No domingo, os participantes se reuniram em oficinas para aprender de forma prática como podem colaborar nas Feiras de Saúde e projetos da ASA. [Equipe ASN, Michelle Martins]